Destaque Noticias Política

Sindicatos reclamam de ingerência do Governo do Estado na organização das categorias

LUANA SOUTOS

Na manhã dessa segunda-feira, 19/07, representantes de diversos sindicatos de servidores públicos do estado de Mato Grosso, que compõem o Fórum Sindical, foram até a Secretaria Estadual de Planejamento (Seplag) fazer mais uma reclamação. Desta vez, no entanto, a reivindicação não foi exatamente melhoria de condições de trabalho ou falhas no pagamento, mas o que chamaram de “tentativa de ingerência do Governo sobre a organização sindical”.

 

A questão é que, há alguns dias, o Governo enviou um ofício circular às entidades afirmando que a Controladoria Geral do Estado (CGE) teria indicado a necessidade de refiliação de todos os sindicalizados. O secretário geral do Sindicato dos Profissionais da Área Instrumental do Governo (Sinpaig/MT), Antônio Wagner, disse que, apesar de acharem a orientação estranha, alguns sindicatos até iniciaram o procedimento, até se darem conta de que a pandemia inviabilizaria a refiliação de milhares de servidores.

 

“Nós achamos muito estranho, mas alguns sindicatos estavam até providenciando a refiliação. Acontece que, por conta da pandemia, esse trabalho ficaria totalmente inviabilizado. Então, entendendo que a ordem é ilegal e a prática é antissindical, caberia a nós não reconhecê-la e não praticá-la. Nós fomos à Seplag para saber quem seria o secretário responsabilizado, caso cometessem a arbitrariedade de deixar de fazer o desconto em folha dos servidores que têm plano de saúde conveniado com sindicato, plano odontológico, assessoria jurídica, entre outros. Porque, caso deixassem de descontar, a pessoa que, por exemplo, tivesse uma audiência, poderia ser prejudicada. Na reunião eles apareceram com esse documento da CGE, que seria a recomendação para refiliação, mas a interpretação que a Seplag deu para o documento é completamente equivocada. O documento não fala em refiliação de nenhum servidor. Ele fala da reorganização da questão dos convênios das entidades com a consignatária e o Estado para evitar vazamento de dados, mas em nenhum momento fala em refiliação de servidor”, explicou o sindicalista.

 

Assim, de posse do documento da CGE, os sindicatos farão uma manifestação dizendo que a Seplag interpretou de forma equivocada o documento recomendatório e que, portanto, o Governo deve rever sua posição. “Os sindicatos não vão cumprir uma ordem ilegal, porque não tem embasamento. Com o documento recomendatório da CGE fica ainda mais claro ainda que a Seplag ultrapassou as suas atribuições, determinando que os sindicatos fizessem refiliação. Os sindicatos são entidades privadas sem fins lucrativos, e não estão subordinadas, na sua relação com o filiado, aos desígnios da administração pública”, concluiu o servidor.

 

Além do Sinpaig/MT, participaram da reunião também os sindicatos dos Servidores Públicos da Saúde (Sisma/MT), dos Servidores Públicos do Desenvolvimento Econômico e Social (Sindes/MT), e dos Trabalhadores no Ensino Público de MT (Sintep/MT).

 

Na ausência do secretário Basílio Bezerra, quem recebeu os servidores na manha desta segunda-feira foi o secretário adjunto interino de Gestão de Pessoas, Geonir Schnorr.

 

A Seplag foi procurada pela reportagem para se posicionar sobre o tema, mas até o momento desta publicação não havia dado retorno.

 

 

 

Deixe um Comentário

Your email address will not be published.

Itens relacionados