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Fios expostos, salas fechadas, falta de distanciamento: com dezenas de servidores infectados, Saúde de Mato Grosso dá exemplo de como não proceder na pandemia

LUANA SOUTOS

“Faça o que eu digo, não faça o que eu faço”. Assim o Governo Mauro Mendes tem agido com relação à pandemia, especialmente no órgão que mais deveria promover a segurança da população: a Secretaria Estadual de Saúde (SES). O surto de contágio na sede da instituição denunciado nos últimos dias pode ser ainda maior do que o divulgado oficialmente. Segundo o Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde do Estado de Mato Grosso (Sisma/MT), é possível que mais de 60 servidores estejam infectados, mas a Secretaria não responde ao ofício solicitando a confirmação.

Assim como não responde a outras demandas, reivindicadas há mais tempo. Fotos apresentadas pelo sindicato, no entanto, demonstram que os locais de trabalho, totalmente insalubres, são perfeitos para o contágio rápido dos servidores, obrigados a retornarem ao trabalho presencial pela Instrução Normativa 17/2020/SEPLAG, que destaca em seu parágrafo 5º: “servidores integrantes do grupo de risco que estejam em regime de teletrabalho por força desse artigo e que foram imunizados pelas vacinas contra a Covid-19, nas respectivas doses oficialmente recomendadas, deverão retornar suas atividades de forma presencial”.

Unidade Transfusional e Rondonópolis

“Se você olha o jardim da SES, o hall de entrada da SES, vai achar que são espaços dignos de um Sírio Libanês. No entanto, o local de trabalho destinado aos servidores são completamente insalubres. Essa tragédia da contaminação poderia ter sido evitada se a SES tivesse considerado nossos ofícios, o que debatemos em reuniões, e até sentenças judiciais. Nós temos duas decisões judiciais em favor do teletrabalho que estão sendo desrespeitadas”, disse a presidente do Sisma/MT, Carmen Machado, ressaltando que há pesquisas demonstrando bons resultados e economia relacionadas ao teletrabalho.

As imagens, no entanto, feitas em Cuiabá e também em unidades do interior do estado, como Cáceres e Rondonópolis, apontam as más condições que vão desde as janelas travadas e falta de circulação de ar, passando por fiação exposta, extintores vencidos desde 2018, ambulâncias sem condições de transportar pacientes, cozinhas sem condições de oferecer alimentos, esgoto ao lado de refeitório, até risco de desabamento.

Janela sem ventilação e fiação exposta na SES

Esgoto e risco de desabamento no Adauto

Fiação em Rondonópolis

Área da Nutrição no Hospital Regional de Cáceres

Novas estratégias

Como o Governo do Estado não se manifesta diante das demandas de seus trabalhadores e não respeita decisões judiciais, o sindicato afirma que está articulando novas estratégias. Entre elas, o auxílio de deputados estaduais para convocar o Governo a se manifestar publicamente. Segundo Machado, alguns parlamentares como Janaína Riva, Valdir Barranco, Lúdio Cabral e Paulo Araújo já sinalizaram apoio.

O material trazendo as fotos de precariedade da Saúde foi apresentado, na íntegra, aos parlamentares. “Os deputados representam a população, têm o dever de cuidar, de socorrer a população principalmente em situações como essa. Não dá para se calar diante disso”, afirmou a presidente. Também há denúncias comprovando o ambiente insalubre protocoladas no Ministério Público do Trabalho.

 

Imagem da capa: Secom/MT

Imagens ao longo do texto cedidas pelo: Sisma/MT

1 Comentário
  1. Maria da graça 2 meses atrás
    Resposta

    Tá na cara que é matéria paga, não tem oque fazer mesmo.

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