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Em entrevista, prefeito diz considerar a possibilidade de não sair a reeleição

Diz o ditado que “filho de peixe, peixinho é” e na política brasileira está máxima é praticamente uma sentença. É com orgulho que o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) faz questão de ressaltar pertencer à única família no Estado com três gerações de políticos atuantes. Mas, após mais de 30 anos de vida pública, é da …

Diz o ditado que “filho de peixe, peixinho é” e na política brasileira está máxima é praticamente uma sentença. É com orgulho que o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) faz questão de ressaltar pertencer à única família no Estado com três gerações de políticos atuantes. Mas, após mais de 30 anos de vida pública, é da família que vem o principal pedido para que o emedebista mude o curso de sua carreira.

Emanuel ganhou seu primeiro cargo eletivo aos 23 anos de idade, quando se tornou vereador por Cuiabá pelo extinto PFL, em 1988. Filho do ex-deputado Emanuel Pinheiro da Silva Primo, ele se casou com a primeira-dama Márcia Khun Pinheiro já na condição de político. Juntos, eles tiveram dois filhos, cujo primogênito, que carrega o nome do avô, resolveu seguir os passos do pai.

“Eu brinco que a minha vantagem é que agora eu tenho o meu projeto”, disse o prefeito apontado para a foto do deputado federal Emanuelzinho (PTB) sobre sua mesa, em seu gabinete na Prefeitura da Capital.

No final do ano passado, Emanuel trouxe à tona as dificuldades em convencer sua esposa a seguir na vida pública. O motivo, segundo ele, seria a exposição que negativa que o mandato como prefeito de Cuiabá trouxe à sua carreira.

Esta semana, o prefeito da maior cidade de Mato Grosso conversou com exclusividade com o Olhar Direto e falou sobre seus planos caso defina dar uma “pausa” – como ele prefere classificar – na política.

Confira trechos da entrevista: 

OD – O senhor está na política desde os 23 anos de idade e esta semana disse em coletiva de imprensa que “provavelmente não será candidato”. Caso bata o martelo sobre a desistência da reeleição, o que pretende fazer para ganhar a vida profissionalmente? 

EP – Vou ser sempre um cidadão à inteira disposição da minha cidade e do meu Estado. Eu tenho um caso de amor com Cuiabá. O ex-primeiro-ministro espanhol José María Aznar largou da política muito cedo e fizeram a ele uma pergunta parecida com esta que você está me fazendo agora e ele falou: para que eu possa servir à Espanha, eu não preciso ser primeiro-ministro, eu posso servir como um cidadão comum. Eu não preciso ser prefeito. Eu continuo sendo advogado, servidor público, professor universitário, ou mesmo político em outras missões.

OD – Que missões o senhor ainda pretende seguir na vida pública?  

EP – A diferença do Emanuel Pinheiro vereador, aos 23 anos de idade, para o Emanuel Pinheiro prefeito de Cuiabá aos 54 anos de idade, é que eu entendi que o sucesso é consequência do trabalho. A maturidade e os cabelos brancos me fizeram entender o que é experiência e que eu sempre vou colher aquilo que eu plantar. Se Deus me reserva o orgulho, o ápice de um dia ser governador ou presidente da República, eu tenho primeiro que ser um grande prefeito. É a política da consequência. Quando eu era jovem e era vereador eu queria de cara ser deputado estadual, quando fui deputado eu já queria ser prefeito, até que eu botei na cabeça que aos 50 anos eu queria estar presidente da República. Até que eu reconheci as derrotas, que eu entendo como uma lição de Deus, e a partir daí entendi que tudo tem seu tempo. Hoje eu vivo o meu mandato, não sou mais o Emanuel Pinheiro ansioso que só pensa em eleição. 100% do meu tempo eu dedico à realização da Prefeitura. A consequência disso é Deus quem sabe.

OD – O senhor sempre se emociona ao falar da atuação do Emanuelzinho enquanto político e hoje o classificou como “seu projeto”. É de sua vontade que seu caçula também siga os passos do avô, do pai e do irmão mais velho? 

EP – Ele está fazendo medicina e eu sempre brinco com ele: ‘eai, filho, vamos peitar uma estadual na próxima?’. E ele sempre me responde: ‘pai, cai fora. Não começa’. Se Deus tocar o coração dele e ele mudar de ideia, eu quero que meus filhos sejam felizes, independente da profissão que escolherem. Lógico, se eu pudesse escolher que eles dessem sequência à trajetória que meu pai começou e que eu mantive erguida, era tudo que eu queria. Mas depende deles. O Emanuelzinho foi uma surpresa, porque ele queria ser padre, mas durante a minha campanha para prefeito ele demonstrou muito interesse pela coisa e olha aí o que virou: o deputado federal mais jovem de Mato Grosso.

OD –  O senhor sempre diz que a primeira-dama está lhe pressionando para que deixe a política. Quais são os motivos que ela elenca para lhe pedir isso? O senhor acredita que os escândalos em torno da delação do ex-governador Silval Barbosa têm influência nesse pedido? 

EP – Ela [Márcia] é o principal motivo para eu não ser candidato, mas é claro que não posso responsabilizá-la integralmente. O que desgosta muito a Márcia e é natural isso é que eu passei 25 anos de uma vida pública tranquila, sendo sempre referência, e depois que virei prefeito tudo que é ruim ou de conduta que possa ser reprovável eu passei a ser puxado para essas situações. Mas, isso eu vou provar na Justiça, que eu não tenho nada com esse mar de lama e ela sabe disso, nós dois sabemos da verdade. E o maior sentimento dela é que às vezes, aquilo que mais me motiva é o que causa nela uma decepção. Porque ela não entende eu querer passar por tantas atribulações. É coisa de companheira, de família. Ela quer a paz que nunca teve. E eu estou pensando em dar essa tranquilidade à minha família, porque já realizei até aqui uma grande missão e que pode ser o momento de dar uma pausa, porque eu não vou deixar nunca de fazer política.

OD – O senhor disse que não responsabiliza sua esposa integralmente. Quais seriam os outros motivos que estão pesando em sua decisão? 

EP – Eu sou um democrata por natureza, então acho que a alternância de poder é salutar também. Para mim, o tradicional sistema de cinco anos sem reeleição era o modelo ideal. Não sei por que acabaram com isso. Quatro anos são pouco, mas oito anos também é muito tempo. Então eu também tenho esse conceito dentro de mim.

OD – Qual a data limite para que o senhor bata o martelo sobre esse assunto? 

EP – É mais fácil fazer política do portão de casa para fora do que do portão de casa para dentro. Lá em casa tá duro de convencer. Mas, por outro lado, a Márcia sabe que me tirar da política é o mesmo que tirar o peixe da água. O ar que eu respiro é a política.

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