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Em sessão da ALMT, secretário de Saúde de Mato Grosso tenta culpar servidores por surto de Covid-19

LUANA SOUTOS

Provocada pelo Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde de Mato Grosso (Sisma/MT), a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) convocou o secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, para explicar, na sessão ordinária desta terça-feira, 20/07, o surto de Covid-19 entre os trabalhadores da secretaria. Após a exposição de situações insalubres, com fotos, o secretário disse que as condições existem há muito tempo, e tentou culpar os servidores por falta de reformas e pelo surto da doença.

O requerimento que resultou na exposição do caso no Plenário da Casa foi proposto pelo deputado Lúdio Cabral (PT) na segunda-feira, 19/07, em caráter de urgência, e aprovado pelos parlamentares presentes. Já são mais de 90 casos confirmados da doença na sede da secretaria nas últimas semanas.

“Eu sinto certo desconforto e certa injustiça com relação a essas imagens, porque não são novas. Eu mesmo posso apresentar imagens piores do que essas que o sindicato mostrou, pois esse é o cenário que nós encontramos quando assumimos a Secretaria. E mais do que isso, os servidores tinham muitos plantões sem receber, havia Resto a Pagar [despesas] em atraso. Eu poderia falar sobre tudo o que fizemos de 2019 a 2021”, disse Gilberto Figueiredo após os relatos da presidente do Sisma/MT, Carmen Machado e do deputado Lúdio Cabral.

No entanto, além dos argumentos gerais para justificar suas opções, o secretário tentou culpar os servidores. “Nosso primeiro propósito foi proporcionar um ambiente salubre para que a Secretaria pudesse elaborar, mas eu só trabalhei na fachada do prédio pelo acúmulo de reclamação do sindicato e dos servidores. Dava uma marretada na parede vinha o sindicato e servidor dizendo para parar tudo porque estava atrapalhando o serviço. Tivemos que fazer opções”, afirmou o gestor, contradizendo, logo em seguida, a própria afirmação de que os servidores teriam atrapalhado as obras, ao garantir que “agora o momento da Secretaria é diferente, há recursos disponíveis [para fazer reparos]”.

Ainda irritado, o secretário continuou atacando os servidores, se referindo às imagens apresentadas. “Não é o secretário que trabalha dentro da sala e faz ela ficar assim, com árvore de Natal em baixo da mesa. Eu não gasto recurso com árvore de Natal. E a Secretaria não tem o que fazer com servidor que não quer usar máscara, que não lava as mãos, que não quer fazer o teste”, disse Figueiredo. Em outro momento, o secretário disse ainda que os servidores trabalham com as janelas fechadas por causa do ar condicionado.

O deputado Lúdio Cabral afirmou, então, que a fachada construída em frente à fachada antiga da Secretaria bloqueia a abertura das janelas do prédio e dificulta a ventilação. “A estrutura nova deixou a fachada bonita, mas comprometeu a ventilação do prédio, porque as janelas não se abrem como deveriam. Agora são duas janelas. Desculpa dizer isso, secretário, mas a reforma deveria ter começado por dentro, por onde tem o maior número de trabalhadores. Você faz reforma de fachada quando você quer vender a casa. A impressão que a gente tem é que o governo quer vender uma casa nova, mas que por dentro continua velha”, afirmou o parlamentar.

A presidente do Sisma/MT também respondeu às afirmações do secretário. “Nós reconhecemos os avanços da Secretaria, temos certeza das dificuldades, mas a sua responsabilidade é atual, secretário, e eu não posso, enquanto representante de uma categoria, deixar de cobrar. Realmente, a frente da Secretaria agora é digna de um Sírio Libanês, mas o prédio não tem sequer elevador que dê acessibilidade. Uma questão que me incomoda bastante é culpar o servidor pelo não uso de equipamentos, porque foi solicitado que a Secretaria apresentasse ao sindicato. Aliás, solicitado, não, palavra inadequada, foi determinado em juízo que a SES apresentasse ao sindicato os EPI’s disponibilizados, e isso não foi feito. Aquele servidor que se recusa a usar máscara ou fazer exame deve ser punido e responsabilizado por crime contra a saúde pública”, respondeu a sindicalista.

Ao fim, dizendo aceitar as recomendações que possam melhorar a área da Saúde de Mato Grosso, o secretário se colocou à disposição para participar de uma reunião com o deputado petista e o Sisma/MT para ajustar a resolução das demandas.

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