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A década de Ouro

A agropecuária de Mato Grosso viveu a sua melhor década no período de 2010 a 2020. Na ótica do crescimento econômico, verdadeira “Década de Ouro”. Nesses dez anos de exuberância produtiva, houve expressivo aumento da produção de grãos, de carnes, de fibras, produtos florestais e biocombustíveis. O setor agropecuário aumentou consideravelmente a produtividade, a rentabilidade, valor bruto da produção e sua participação no PIB estadual.

O protagonismo dessa arrancada veio da soja, milho, algodão e carnes (bovina, suína e frangos). O estado diversificou sua base produtiva, incorporando novos municípios à produção agrícola e ocupou a posição de maior produtor agropecuário do país, superando estados outrora campeões nacionais, como Rio Grande do Sul e Paraná. Tornou-se um “case” de sucesso mundial e um “player” mundial da produção de commodities agrícolas. Se comparado a um país, Mato Grosso seria o quinto maior produtor agropecuário mundial, ficando atrás apenas de EUA, China, Argentina e Austrália.

O apoio recebido dos governos federal e estadual foram de suprema importância para essa empreitada empreendedora. A administração federal aprovou lei nacional, chamada Lei Kandir, que isenta do pagamento de todos os tributos federais e estaduais a produção exportada para outros países. Também foi o grande provedor de crédito rural barato, pesquisa agropecuária, por meio da Embrapa e da infraestrutura rodoferroviária, que garante o transporte competitivo da produção até os centros de consumo e portos marítimos. O governo estadual participa com a logística rodoviária e benefícios fiscais que abrangem todo o processo produtivo, desde a aquisição de bens de capital, veículos, maquinários, implementos e insumos agrícolas, como fertilizantes e inseticidas, que contam com alíquotas menores de ICMS.

A força produtiva fica evidente nos dados dos dois principais produtos da revolução agropecuária, soja e milho. Em 2010 a produção de soja era de 18,7 milhões de toneladas. Na safra de 2021 foram colhidas 37,4 milhões de toneladas. A produção milho que era de 8 milhões de toneladas em 2010, chegou a 35 milhões em 2020. A soja, principal produto da pauta de exportações brasileiras, exerce o protagonismo da produção agrícola nacional, chegando a 122 milhões de toneladas na safra 2021. Desse total, 37,4 milhões foram produzidas em Mato Grosso (30,6%).

Sorriso e Sapezal são os dois municípios que mais produzem soja do país. Segundo pesquisa recentemente divulgada pelo IBGE, dos 50 municípios maiores produtores agrícolas do Brasil, 20 são de Mato Grosso.

A industrialização de carnes e etanol contribuiu de forma considerável para o crescimento econômico do período. A expansão de novas plantas frigoríficas e o surgimento da indústria do etanol de milho ajudaram a qualificar o mercado de trabalho, melhorar a renda e aumentar o consumo no comércio local.

Do pioneirismo da usina USIMAT, de Campos de Júlio, que em 2013 inaugurou a primeira indústria de etanol de milho, seguida pela usina Libra, de São José de Rio Claro, chegamos à marca de 5 bilhões de litros de etanol em 2021.

Nesse ínterim, novas plantas industriais de etanol foram montadas em diversas regiões do estado, chegando ao total de 14, agregando mais valor à economia estadual. A maioria das plantas está preparada para extrair etanol da cana de açúcar e do milho, operando o ano todo.

O desafio para a próxima década é acelerar a industrialização do estado, reduzir desigualdades regionais e de renda. Para isso, é necessário incorporar mais municípios à produção de bens agropecuários e ao processo de industrialização de alimentos, fibras

e produtos florestais. Atrair indústrias de celulose torna-se alternativa interessante e urgente para regiões com condições edafo-climáticas favoráveis ao cultivo de eucalipto, como já ocorre nos municípios de Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo, no vizinho estado de Mato Grosso do Sul. A aceleração de infraestruturas como novas ferrovias, privatização de rodovias, implantação da internet 5G e chegada do etanol-duto, são condições imprescindíveis para que a década de 2021 a 2030 seja outra década dourada para a economia de Mato Grosso.

Vivaldo Lopes, economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia.  É pós-graduado em  MBA- Gestão Financeira Empresarial pela FIA/USP . E-mail: [email protected]

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