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Universitário dá aulas gratuitas de português para imigrantes em Cuiabá

Há um ano, o estudante de sociologia Rafael Lira, de 28 anos, se dedica a dar aulas gratuitas de português para imigrantes haitianos e senegaleses, em Cuiabá. As aulas são ministradas duas vezes por semana em dois pontos da capital.

A aula para a turma de senegaleses é realizada toda segunda-feira, na Praça da Mandioca, Centro Histórico de Cuiabá. Já os haitianos se reúnem às terças-feiras em uma unidade da Igreja Assembleia de Deus, no Bairro Areão.

De acordo com ele, mais de 150 alunos estrangeiros passaram pelas duas turmas do projeto.

Rafael contou que as aulas para haitianos já existia, porém, o convite para fazer parte do projeto partiu de uma amiga dele.

“Ela conhecia um dos coordenadores do projeto e me colocou em contato com ele. Fui chamado para conhecer e ver no que poderia ajudar. E neste ano assumi a coordenação”, lembrou.

Aulas são ministradas duas vezes por semana (Foto: Rafael Lira/ Arquivo pessoal)

Para o estudante, o trabalho voluntário foi uma das ferramentas que ele encontrou para diminuir as dificuldades dos imigrantes que vivem em Cuiabá.

“Eles (os imigrantes) falam que o maior desafio quando decidem procurar um emprego é a barreira da comunicação”, disse.

Segundo Rafael, cada turma possui cerca de 20 imigrantes matriculados.

“Muitos haitianos já participam das aulas há bastante tempo, outros acabaram de entrar. São todos muito esforçados”, contou.

Rafael contou que, apesar de a dificuldade para pronunciar algumas palavras brasileiras, por conta da diferença entre os idiomas, os imigrantes participam e interagem durante as aulas.

De acordo com ele, a maior dificuldade para realizar as aulas no momento é a falta de materiais escolares, como cadernos e lousas.

“Gostaria de poder oferecer esses materiais para eles, para que possam acompanhar melhor as aulas. Um caderno e uma caneta, por exemplo, pode parecer algo barato e simples, mas faria diferença para eles”, disse.

Rafael contou que a turma de alunos haitianos possui um quadro à giz, que precisa ser substituído devido ao grande tempo de uso.

“Precisamos de um quadro branco, porque o que estamos usando já está velho, além de não ter a praticidade do uso de um pincel atômico”, avaliou.

Já durante as aulas realizadas com os imigrantes senegaleses, a turma conta com uma lousa improvisada por uma folha de papel colocada na tela de uma televisão.

Rafael passou temporada no Haiti (Foto: Rafael Lira/ Arquivo pessoal)

Viagem ao Haiti

Rafael contou que viajou para o Haiti em 2013 e morou lá durante nove meses enquanto fazia trabalhos voluntários direcionados a população do país.

“Aprendi a falar a língua deles (crioulo). Desde que voltei do Haiti continuei a fazer trabalhos voluntários com a população de haitianos que moram em Cuiabá”, disse.

Quando voltou do país, Rafael trabalhou na Pastoral do Imigrante, e, em um projeto de educação para imigrantes da Secretaria de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT).

“Trabalhei durante dois anos como intérprete no projeto da Seduc. Como aprendi o crioulo quando morei no Haiti, fazia traduções e auxiliava os professores”, lembrou.

Além do trabalho voluntário como professor de português, Rafael contou que também participa do projeto Cultura, História e Língua Haitiana em parceria com a Associação de Defesa dos Haitianos Migrantes em Mato Grosso (ADHM-MT).

De acordo com ele, o projeto também tem apoio do coletivo negro da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), onde as aulas acontecem.

“Em 2017 formamos duas turmas. O projeto é uma forma de mudar a visão das pessoas quanto a essa população (de imigrante). Além de proporcionar o conhecimento histórico sobre a cultura haitiana”, avaliou.

Para Rafael, as aulas do projeto também funcionam como uma forma de combate ao racismo e a xenofobia sofrido pelos imigrantes.

Por Bruna Barbosa/G1MT

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