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Sejudh terá que explicar algemas e ‘exposição vexatória’ de esposa de coronel

O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Orlando de Almeida Perri, cobrou explicações do secretário de Justiça e Direitos Humanos, Fausto José Freitas, sobre os motivos que levaram ao uso de algemas na condução da personal trainer Helen Christy Lesco para depoimento na Polícia Civil.

Perri encaminhou um ofício nesta quarta-feira (4) requerendo “imediatas e urgentes” providências quanto ao caso.

Helen Lesco é esposa do ex-chefe da Casa Militar, Evandro Lesco, e foi presa durante a Operação Esdras, da Polícia Civil, por suposta obstrução à Justiça na investigação quanto ao esquema de escutas clandestinas no âmbito da Polícia Militar.

Ela foi conduzida na última terça-feira (3) para prestar depoimento aos delegados Ana Cristina Feldner e Flávio Henrique Stringuetta, responsáveis pela investigação dos grampos no âmbito da Polícia Civil.

No entanto, ao chegar ao Complexo Miranda Reis de Juizados Especiais, no bairro Bandeirantes, em Cuiabá, Helen Lesco saiu de uma viatura algemada e vestindo uniforme de presidiária do centro de detenção Ana Maria do Couto May, onde está detida desde o último dia 27 de setembro.

Apenas ela foi depor com algemas e uniforme de presidiária, ao contrário dos outros acusados que são policiais militares e ex-secretários de Estado.

Em ofício encaminhado ao secretário Fausto, o desembargador Perri diz que lhe causou “espécie não apenas a mim, mas de maneira geral a toda a sociedade, haja vista sua notória repercussão, a imagem da custodiada Helen Lesco (…) algemada”.

Para o desembargador Perri, o uso de algemas é medida excepcional e só deve ocorrer em caso de tentativa de fuga ou risco de agressão por parte do preso.

“Sem pretender fazer prejulgamento dos servidores responsáveis pela escolta da pressa provisória Helen Lesco, não podemos ignorar que o uso de algemas é medida excepcional, devendo ser adotado com a finalidade de impedir, prevenir ou dificultar a fuga ou reação indevida do preso, desde que haja fundada suspeita ou justificado receio de que tanto venha a ocorrer, e para evitar agressão do preso contra os próprios policias, contra terceiros ou contra o mesmo”, diz trecho do documento.

Por este motivo, Perri cobrou justificativa por escrito dos agentes penitenciários que escoltaram Lesco esclarecendo da necessidade “excepcional” do uso de algemas. “Requisito a Vossa Excelência providências, imediatas e urgentes, para que situação degradante desta natureza não volte a ocorrer”, encerrou.

Grampos ilegais – Além de Helen Lesco, o desembargador Orlando Perri determinou a prisão de outros sete envolvidos no esquema dos grampos ilegais, além de 15 mandados de busca e apreensão e uma condução coercitiva.

Estão presos por suposta participação no esquema o ex-secretário de Justiça e Direitos Humanos, coronel Airton Benedito Siqueira Júnior, o ex-secretário de Segurança Pública, Rogers Jarbas, o sargento João Ricardo Soler e o major Michel Ferronato, ambos da Polícia Militar.

Também estão presos o ex-secretário chefe da Casa Civil, Paulo Taques, e o ex-chefe da Casa Militar, Evandro Lesco.

Karine Miranda

Gazeta Digital

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