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MP teria tentando impedir investigações dos grampos, diz Perri

Perri aponta envolvimento do MP em uma tentativa de afastá-lo das investigações

O desembargador do Tribunal de Justiça, Orlando Perri, afirmou que um grupo do Ministério Público do Estadual estaria envolvido no esquema de escutas clandestinas no âmbito da Polícia Militar, bem como queria seu afastamento das investigações.

A informação faz parte da decisão de Perri que determinou a prisão de oito envolvidos, além de 15 mandados de busca e apreensão e uma condução coercitiva, na Operação Esdras, deflagrada nesta quarta-feira (27).

O desembargador do Tribunal de Justiça, Orlando Perri, afirmou que um grupo do Ministério Público do Estadual estaria envolvido no esquema de escutas clandestinas no âmbito da Polícia Militar, bem como queria seu afastamento das investigações.

A informação faz parte da decisão de Perri que determinou a prisão de oito envolvidos, além de 15 mandados de busca e apreensão e uma condução coercitiva, na Operação Esdras, deflagrada nesta quarta-feira (27).

Perri atendeu a uma representação apresentada pela delegada da Polícia Civil, Ana Cristina Feldner, que investiga o inquérito dos grampos no âmbito do TJ. Segundo o desembargador, não foi requerida a prévia manifestação ministerial acerca da representação por “possível envolvimento de promotor[es] de justiça na organização criminosa”.

Isto porque o depoimento prestado pela testemunha, o tenente coronel José Henrique Costa Soares, aponta envolvimento do MP, inclusive com tentativa de afastar Perri do comando das investigações.

“O mais aterrorizante na declaração prestada pela testemunha, Ten.-Cel. PM José Henrique Costa Soares, é a afirmação de que um promotor de Justiça foi designado para “ajudar na blindagem do grupo”, que seria, inclusive, “de confiança do grupo”, disse o desembargador.

“ao que parece, não cuidava de um único membro do Ministério Público Estadual, e, sim, que haveria um ‘grupo do Ministério Público’ interessado em meu afastamento das investigações”, complementou.

O desembargador aponta ainda que uma conversa gravada entre o tenente coronel e o ex-secretário da Casa Civil, Evandro Lesco, confirmaria a suspeita de conluio entre a organização criminosa e o MP.

“Ten.-Cel. Soares: Hein Lesco? É ainda bem que tem o Ministério Público do nosso lado, por que, porra, se não tivesse, tava fodido né [risadas].
Cel. Lesco: … coisa grande.
Ten.-Cel. Soares: Aí tava pior ainda né.
Cel. Lesco: [nome do promotor] enfrentou só que é um contra trinta é foda né, ele falando sozinho.
Ten.-Cel. Soares: É uma desleal
Cel. Lesco: Desleal, desleal…
Ten.-Cel. Soares: É uma briga desleal.
Cel. Lesco: E é bom que o [nome de procurador de justiça] já comprou a briga de novo né.
Ten.-Cel. Soares: Ham, ham.
[…]
Ten.-Cel. Soares: Hum, deixa eu te falar, dessa época aí meu irmão eu bati de frente com o Ministério Público. Assim, eu falei: “cadê oh”, fala que houve enriquecimento ilícito, tudo bem, mas cadê?
Cel. Lesco: Agora não, agora o Ministério Público é nosso aliado”.

A conversa contida na gravação foi classificada por Perri como “muito grave”, motivo pelo qual ele não requereu a prévia manifestação ministerial acerca das prisões e determinou a realização da Operação Esdras.

“É um próprio integrante da provável organização criminosa quem anunciou a adesão de membros do Ministério Público na sesquipedal deslealdade contra um integrante do Tribunal do Justiça, voltada a descartar-me da frente das investigações envolvendo as escutas telefônicas clandestinas no Estado de Mato Grosso”.

A Gazeta

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