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LUTA DE CLASSE

“Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência”.

Karl Marx

As constantes crises e a instabilidade instalada no Brasil a partir das passeatas de junho de 2013 (Copa das Confederações) fez com que os conflitos entre classes se acentuasse e tomasse dimensões inimagináveis, principalmente nas ruas, nas redes sociais e agora de forma bem direta no Congresso Nacional, atingindo as administrações dos estados e as prefeituras, principalmente as de grande porte. É a luta de classe.

O termo luta de classes é um conceito que diz respeito a expressão dos conflitos entre as diferentes classes sociais, portadoras de interesses completamente antagônicos e inconciliáveis entre si. Tais lutas são travadas não só no campo econômico, como também político e ideológico.

O conceito ganhou corpo nos escritos de Karl Marx e Friedrich Engels, mas continuou sendo desenvolvido pelo pensamento marxista, sendo uma ideia chave neste momento para compreendermos a história e a dinâmica das sociedades modernas e pós modernas e seus conflitos, (Reino Unido, França, EUA, Venezuela, Brasil, dentre outros).

Devido ao modo como a riqueza é produzida e distribuída, uma classe se levanta contra a outra, o que eventualmente pode derrubar a classe dominante e levar um novo grupo a ocupar esse posto. O grupo que por ora ocupa o poder é chamado de “obsoleto”, pois faria e faz qualquer coisa para permanecer no topo, inclusive usar dos mesmos mecanismos que criticavam quando eram “emergentes”, inclusive os nada republicanos e impublicáveis (Odebrecht, JBS, OGX e outras).

A classe fora do poder, emergente (que por ora deseja o poder), gera críticas e fatos (antíteses), mesmo que sejam inverdades, para inviabilizar a administração atual (obsoleta) com vistas a tomada do poder para si, processo denominado de dialético (antítese, tese e síntese). Tal compreensão é essencial, pois no interior destes conflitos estão as sementes de uma nova sociedade que superará o modo de produção estabelecido. Os conflitos sociais são vistos como o motor da história de uma sociedade que está em constante mudança.

No Brasil atual faz-se necessário tais leituras para que nossa compreensão saia do restrito campo emocional (meu bandido de estimação) e entre no campo racional (a sociedade que eu quero construir). Partindo desta premissa, o que está em jogo não é o Brasil e seus problemas, mas a ocupação do poder por grupos que se antagonizam na forma de ser, de um lado a sociedade organizada (funcionários públicos e sindicatos corporativos) e de outro as organizações liberais (trabalhadores da iniciativa privada não sindicalizados, autônomos e empresários).

O problema é que em nenhum dos casos os líderes dos movimentos (das classes sociais) são dignos de confiança. A associação ao crime, que seria o último recurso para permanecer no poder, deixa de ser último e se torna um processo continuo para chegar e estar no poder. Este fator (criminoso), apesar de ser antigo no Brasil, só veio a tona com a independência da Polícia Federal e o fortalecimento do Ministério Público. Daí as constantes operações policiais (Lava Jato é um exemplo) e a instituição da delação premiada.

Com as organizações das categorias dento dos modos de produção abriu-se a sangria como nunca ocorreu (luta de classes), mas a solução está longe de ocorrer, uma vez que o encastelamento das classes por ora em combate não permitiu renovação de seus quadros. Na sua quase totalidade já são todos septuagenários e comprometidos criminalmente. As novas e possíveis lideranças estão ainda desprovidas da capacidade intelectual e organizacional para tocar a “guerra” e ainda sofrem do mal da idolatria e do culto ao “herói de barro”.

Economia cambaleante, reformas importantes para serem feitas, e o político empoderado (com mandato) desmoralizado é a combinação perfeita para desprezarem as necessidades eminentes do país (saúde, educação, saneamento e segurança) e duelarem a qualquer custo pelo comando do caixa financeiro do setor público. Portanto, vivemos um momento de guerra e neste caso não há razão e nem limite dentro do combate. Vivemos o vale tudo e ele chegou às ruas. Quem está fora quer destruir, quem esta dentro quer acumular!

João Edisom de Souza é posgrado em gerenciamento

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