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Governo defende coronéis presos por envolvimento em escutas telefônicas

O governo do Estado emitiu uma nota de esclarecimento onde fez a defesa do secretário da Casa Militar, coronel Evandro Lesco, e seu adjunto, coronel Ronelson Barros, presos no final da tarde desta sexta-feira (23) por suposta participação no esquema das interceptações telefônicas ocorridos no âmbito da PM em Mato Grosso.

As ordens de prisão foram determinadas pelo desembargador Orlando de Almeida Perri, decretadas com base nas investigações em andamento sobre o esquema de escutas telefônicas clandetinas na modalidade “barriga de aluguel”. Ainda não se sabe ao certo quantas pessoas entre políticos, magistrados, médicos, empresários e jornalistas foram grampeados, mas em uma decisão judicial sobre o assunto foi citado que teriam sido realizados pelo menos mil grampos.

O caso veio à tona por meio de denuncia formalizada pelo promotor de Justiça e ex-secretário de Segurança, Mauro Zaque.

Conforme a nota do Gabinete de Comunicação (GCom), o governo respeita a decisão judicial, porém, ressalta que os secretários são de “absoluta confiança” e não há “nenhum ato que desabone suas condutas de militares e agentes públicos honrados e probos”.

Apesar da confiança, diante das prisões, ambos serão afastados provisoriamente dos cargos que ocupam até que se esclareçam as investigações sobre ambos. Neste período, o atual Comandante Regional do CR 7, coronel Wesley de Castro Sodré passa a responder interinamente pela Chefia da Casa Militar.

Além de Lesco e Ronelson, foram presos o Comandante do 4º Batalhão em Várzea Grande, tenente coronel Januário Antônio Edwiges Batista e o Cabo Euclides Luiz Torezan, cedido Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) por participação nos grampos.

Já o Corregedor Geral da PM, coronel Alexandre Mendes, e o Diretor de Inteligência da PM, Victor Fortes, foram presos por vazarem informações sigilosas sobre estas prisões que tinham como alvos os membros do Estado.

Ainda conforme a nota, o governador Pedro Taques (PSDB) reforça que tomou as medidas cabíveis tão logo tomou conhecimento do vazamento das informações sigilosas e garantiu que acompanhará as investigações sobre suas atuações.

Taques ressalta ainda que acredita e que tem “convicção de que a verdade prevalecerá, e que ao final das investigações os verdadeiros culpados serão identificados e punidos na forma da lei”, encerrou.

Confira íntegra da nota 

Diante da confirmação dos mandados de prisão expedidos nesta sexta-feira (23.06) pelo desembargador Orlando de Almeida Perri, do Tribunal de Justiça, o Governo do Estado de Mato Grosso vem a público esclarecer o que segue:

1. Que respeita a decisão judicial, mas ressalva que os coronéis PM Evandro Lesco e Ronelson Barros gozam da total confiança do Governo, e esclarece que, apesar da decretação das prisões, as investigações estão em fase inicial e não há, até onde seja do conhecimento do Governo, nenhum ato que desabone suas condutas de militares e agentes públicos honrados e probos.

2. Que diante das prisões preventivas do secretário e do secretário adjunto da Casa Militar, Lesco e Barros, respectivamente, o governador Pedro Taques determinou o afastamento provisório e não remunerado dos dois secretários, até que se esclareçam as investigações sobre ambos.

3. O governador anuncia a nomeação do Cel PM Wesley de Castro Sodré, atual Comandante Regional do CR 7 (Tangará da Serra e região) para responder interinamente pela Chefia da Casa Militar.

4. Quanto às prisões do Tenente Coronel Januário Antônio Edwiges Batista, atual Comandante do 4º Batalhão, em Várzea Grande, e do Cabo Torezan, cedido ao Gaeco (Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público Estadual, o Governo do Estado acompanhará as investigações sobre suas atuações.

5. O Governador Pedro Taques revela que, assim que tomou conhecimento de que dois oficiais militares do Alto Comando da PMMT (Cel Alexandre Mendes, Corregedor Geral da PMMT, e Victor Fortes, Diretor de Inteligência da PMMT) estiveram na Casa Militar na manhã desta sexta-feira para revelar a possibilidade de prisão de membros do Governo, inclusive recomendando que se “preparassem”, tomou a única medida que lhe competia, que foi a de comunicar o fato ao presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, uma vez que a atuação dos dois militares caracterizaria, em tese, crimes de violação de sigilo judicial e obstrução da Justiça, recomendando ao presidente do TJ, desembargador Rui Ramos, que tomasse as providências que julgasse apropriadas ao caso. Como autoridade pública e professor de Direito, o governador não poderia se omitir diante dos fatos supostamente ilegais trazidos ao seu conhecimento, sob pena de cometer o crime de prevaricação, pois não coaduna com vazamentos ilegais, em respeito às decisões judiciais. O governador também comunicou o fato ao secretário de Estado de Segurança Pública, Rogers Jarbas, que já encaminhou a notícia do suposto crime ao Ministério Público da Auditoria Militar.

6. Por fim, o governador acredita na Justiça e nas instituições democráticas, reitera sua convicção de que a verdade prevalecerá, e que ao final das investigações os verdadeiros culpados serão identificados e punidos na forma da lei.

Cuiabá-MT, 23 de junho de 2017.
GCOM – Secretaria do Gabinete de Comunicação do Governo de Mato Grosso

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