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Funcionários do ‘Rei do Algodão’ acusam seguranças de Eraí Maggi por agressões

Três funcionários do Grupo JPupin, do empresário José Pupin, conhecido por “Rei do Algodão” registraram 2 boletins de ocorrências por agressões e ameaças sofridas, segundo eles, por seguranças do Grupo Bom Futuro, do pecuarista Eraí Maggi (PP), que é primo do ex-governador de Mato Grosso, atualmente ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP).

Fatos ocorreram em 13 de setembro e 28 de outubro deste ano, na fazenda Marabá, antiga propriedade Talismã, em Campo Verde (131 km ao sul de Cuiabá). Área é disputada judicialmente pelos grupos, chegou a ser leiloada e arrematada por Eraí, por R$ 50 milhões, mas recorrida por Pupin, que pediu anulação com argumento de que o procedimento apresentava irregularidades.

Desde então, vítimas denunciam que veêm sendo ameaçadas por seguranças contratados por Eraí, para que não tenham acesso a vila que fica na fazenda.

Último registro judicial data de 25 de outubro, em que o desembargador Carlos Henrique Abraão, do Tribunal de São Paulo, acolheu em acórdão pedido de Pupin e anulou o leilão.

Primeiro caso registrado de agressão e ameaça ocorreu em 13 de setembro, quando o funcionário do Grupo JPupin, A.B.K, 33, devidamente uniformizado, foi humilhado e ameaçado depois de tirar fotografias da ação truculento de seguranças armados de empresa privada.

Vítima alegou em depoimento, que seguranças atiraram no chão e para cima, para que entregasse o celular depois de registrar por meio de vídeos e fotografias, ação de retirada forçada de grupo de sem-terras na área.

Seguranças teriam quebrado cerca da fazenda e acionado a polícia, que encaminhou para delegacia vários sem-terras, sob alegação de que estariam mantendo reféns, o que conforme a vítima, é inveridico.

Depois de fotografar a ação dos seguranças contratados pelo Grupo Bom Futuro, funcionário da JPupin foi obrigado a se ajoelhar e passou a ser chutado e ameaçado de morte para que entregasse o aparelho celular. Depois de muita humilhação, segundo a vítima, e fazer vídeo pedindo perdão aos seguranças, foi liberado.

Segundo fato, em 28 de outubro, envolveu 9 seguranças e duas vítimas. Relatam os funcionários de 33 e 34 anos, que realizavam trabalho de manutenção de energia para famílias que residem na área, quando foram expulsos, agredidos e ameaçados.

Em ambos os casos, as vítimas procuraram a delegacia de Polícia Civil da cidade e registraram os fatos. A reportagem tentou contato com a assessoria de imprensa do Grupo Bom Futuro, porém, não conseguiu retorno até a publicação.

Disputa de área

Grupo JPupin entrou em recuperação judicial em setembro de 2015, por dívida com o banco Santander e pediu leilão do imóvel, autorizado pela Justiça de São Paulo.

Em novembro de 2016, outra fazenda do grupo avaliada em R$ 73 milhões, em Santo Antônio do Leverger, foi liberada para leilão com lance inicial de R$ 44,1 milhões para quitar empréstimos contraídos junto ao Banco Rabobank International Brasil.

Izabel Barrizon

A Gazeta 

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