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Ex-secretário de MT diz que tentaram evitar sua prisão para não causar desgaste ao governo

O ex-secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh-MT), coronel PM Airton Siqueira, afirmou que o grupo investigado por suposto envolvimento com o esquema de interceptações clandestinas operados por policiais militares no estado, temia a prisão dele porque isso poderia gerar desgaste à imagem do governo do estado.

A declaração do coronel da Polícia MIlitar foi feita durante depoimento prestado à delegada Ana Cristina Feldner, da Polícia Civil, que conduzia os inquéritos sobre o caso no Tribunal de Justiça (TJMT), antes das investigações subirem para o Superior Tribunal de Justiça. O depoimento foi prestado no contexto da Operação Esdras, que apurou um plano montado para tentar afastar das investigações o então relator do inquéritos dos grampos no TJMT, desembargador Orlando Perri.

No depoimento, Siqueira afirma que possui uma amizade de mais de 25 anos com o ex-chefe da Casa Militar, coronel PM Evandro Lesco, e que, quando o colega de farda disse que a prisão dele “jamais poderia acontecer, porque o grupo ficaria fragilizado”, ele se referia à situação da atual gestão.

Isso porque, até a deflagração da Operação Esdras – que culminou na prisão de Siqueira e do então secretário de Segurança Pública (Sesp), Rogers Jarbas -, dois integrantes do primeiro escalão e um ex-secretário já haviam sido detidos: o coronel Evandro Lesco e Permínio Pinto (ex-secretário de Educação, preso durante a Operação Rêmora), além do advogado Paulo Taques, que é ex-chefe da Casa Civil e primo do governador Pedro Taques (PSDB).

O coronel Airton Siqueira foi exonerado a pedido do cargo no início deste mês. Ele já estava afastado do cargo desde o dia 27 de setembro, quando foi preso. Ele foi o primeiro membro da alta cúpula da PM a admitir, em depoimento à Corregedoria da Polícia Militar em julho deste ano, que o governador Pedro Taques (PSDB) sabia dos grampos.

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