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Lesco devia ter comprado sistema de escuta em nome de defunto, teria dito esposa

A suspeita de que o coronel da Polícia Militar e ex-secretário chefe da Casa Militar Evandro Alexandre Ferraz Lesco tenha sido o responsável por custear a compra de um Sistema Sentinela no valor de R$ 24 mil, teria sido motivo de atrito entre ele e sua esposa, a educadora física Helen Christy Carvalho Dias Lesco.

O sistema Sentinela teria sido utilizado pelo cabo da PM Gerson Luiz Ferreira Corrêa Júnior para grampear centenas de pessoas entre políticos de oposição, jornalistas, advogados, entre outros.

Conforme o depoimento do tenente-coronel PM José Henrique Costa Soares, escrivão do inquérito policial militar (IPM) que apura o esquema de grampos ilegais, no último dia 18 ele presenciou um atrito entre o casal Lesco na casa deles, já que, à época, estava sendo coagido a ajudar o grupo para atrapalhar as investigações.

Quando desistiu da prática de obstrução à justiça, o militar declarou à delegada Ana Cristina Feldner que em certo momento de uma conversa com o casal Lesco, “o ambiente fica meio pesado porque a Helen questiona o Lesco do porquê ele comprou o equipamento, e a nota fiscal do equipamento foi emitida em nome dele”.

Compra em nome de falecido

De acordo com o escrivão, a esposa do coronel Lesco também o questionou o motivo para ter pago o equipamento de escuta com cheque, se poderia ter pago em dinheiro. Além disso, Helen Christy teria dito para o marido que ele poderia ter realizado a compra no nome de algum falecido para retirar de si as pistas do ato. “Ele poderia ter essa nota emitida em nome até de um falecido né, de um defunto palavras dela”, diz trecho do depoimento de Soares.

Além disso, a educadora física teria criticado Lesco pelo fato dele não ter imaginado que o caso se tornaria um escândalo que viria à tona e que, por isso, cometera tal “bobeira”. “Ela não sabe dizer porque isso aconteceu, e ela supõe, vocês estavam fazendo isso porque achavam que não ia acontecer nada, só pode, porque para dar uma bobeira dessa, só podia ser isso, teria dito Helen a Evandro.

Na quarta-feira (27), com a operação Esdras, ambos foram presos preventivamente por determinação de Orlando Perri, pela acusação de obstrução à Justiça. Conforme apurou a reportagem, Helen Christy foi para o presídio feminino Ana Maria do Couto May e Evando Lesco para o 3º Batalhão da Polícia Militar, na região do CPA.

O advogado do casal, Marciano Xavier das Neves, disse à reportagem que não irá se manifestar porque não sabe se ainda continuará no caso. Ele também foi citado na decisão de Perri como tendo participado da tentativa de atrapalhar as investigações.

Conforme já apurado até o momento, o volume de escutas telefônicas realizadas pela organização criminosa atingiu um patamar tão grande que foi necessário adquirir um sistema próprio de escuta telefônica e a instalação de um escritório em sala comercial alugada, além das despesas ordinárias mensais, o que, segundo o desembargador Orlando Perri, não deixa dúvidas de que “o grupo possuía um mantenedor abastado, alguém que investiu financeiramente na criação e na manutenção dele”.

Por Celly Silva

Gazeta Digital

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