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Empresária citada por Silval Barbosa também é delatora, revela juiz

Juiz federal Jeferson Schneider (Otmar de Oliveira)

A empresária Marilena Aparecida Ribeiro firmou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal (MPF), no âmbito da operação Ararath, que apura um sistema financeiro ilegal envolvendo desvio de dinheiro público durante a gestão do ex-governador Silval Barbosa. O processo passou a tramitar de forma sigilosa no Supremo Tribunal Federal (STF) em junho de 2016, mas somente veio à tona após uma reclamação que visa anular a delação premiada do empresário Gércio Marcelino Mendonça Júnior, o Júnior Mendonça, dono da Amazônia Petróleo.

Isso porque a reclamação tem como alvo o juiz da 5ª Vara Federal de Cuiabá Jeferson Schneider, que em um dos despachos remetidos ao ministro Dias Toffoli, para prestar esclarecimentos sobre a acusação de usurpação de competência supostamente ocorrida ao homologar o acordo de delação que citava autoridades com prerrogativa de foro, o magistrado relatou a existência de uma petição referente ao acordo da empresária Marilena Aparecida Ribeiro.

Conforme o despacho, que tratava sobre a prevenção de julgamento do caso no STF, o que também é alvo de questionamento da reclamação protocolada pelo advogado Ulisses Rabaneda, a competência de Dias Toffoli enquanto relator foi inicialmente fixada em livre distribuição dos autos de um inquérito, que à época tinham como alvo o senador e ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP).

Após o arquivamento do inquérito, em junho de 2016, ao receber a petição que tratava sobre o acordo de colaboração de Marilena Aparecida Ribeiro, o próprio ministro Dias Toffoli entendeu não ser prevento para assumir o caso. “A partir dessa decisão do ministro Dias Toffoli, os processos referentes à Operação Ararath foram livremente distribuídos ao ministro Luiz Fux”, diz trecho do documento assinado por Jeferson Schneider.

Complementando sua explanação, o magistrado afirmou que desde então, o ministro Luiz fux “passou a ser o juiz natural e, portanto, prevento para os processos referentes à Operação Ararath”.

Em consequência disso, Fux também reconheceu sua prevenção em outras petições que surgiram posteriormente, relacionadas aos acordos de colaboração premiada firmadas pelo Ministério Público Federal com o ex-chefe da Casa Civil Pedro Nadaf, com o empresário Genir Martelli, com o ex-governador Silval Barbosa, sua esposa, irmão e filho, Roseli Barbosa, Antônio Barbosa e Rodrigo Barbosa, respectivamente, e com o ex-chefe de gabinete do governo do Estado Sílvio César Corrêa Araújo, o que culminou nas mais recentes fases da operação Ararath, incluindo a operação Malebolge, deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2017.

Quem é Marilena Aparecida Ribeiro

Marilena Aparecida Ribeiro é empresária dos ramos de postos de combustíveis e construção civil. Foi citada na delação do ex-governador Silval Barbosa e seu ex-assessor Sílvio Cézar Corrêa Araújo como operadora financeira do grupo político do ex-governador, emprestando quantias milionárias em troca de altos juros, que acabavam sendo pagos com dinheiro ilícito obtido por meio dos vários esquemas de corrupção no governo do Estado.

Por conta disso, ela também figura como vítima na ação penal relativa à operação “Liberdade de Extorsão”, da Polícia Civil, em que os donos do Grupo Milas de Comunicação são acusados de extorquir enormes quantias de dinheiro de políticos e empresários envolvidos em escândalos e negociatas ilícitas na Administração Pública em troca de não terem o caso divulgado em seus veículos. Isso teria ocorrido antes do caso vir à tona com a Operação Sodoma.

Conforme relatos de Sílvio Corrêa à Justiça, parte do dinheiro emprestado por Marilena Aparecida a Silval Barbosa teria sido usado para “comprar” o apoio dos então deputados estaduais em relação a obras superfaturadas como o MT Integrado.

Por Celly Silva/A Gazeta

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