Após detenção arbitrária, sindicalista se defende e acusa perseguição política

Antonio Wagner Oliveira foi preso no Banco do Brasil no último dia 23 (Foto: reprodução)

Antônio Wagner Nicacio de Oliveira, advogado e vice-presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros seccional MT, divulgou nota de esclarecimento, nesta terça-feira (5), sobre o ocorrido no dia 23 de novembro numa agência do Banco do Brasil, em Cuiabá.

O sindicalista foi preso pela Polícia Militar após supostamente ter agredido verbalmente uma funcionária do banco, que fica no Centro Político, além de ser acusado de ter se envolvido em uma briga com um homem que estava na agência, fatos negados por Wagner.

Na nota, o sindicalista afirma que participou da primeira audiência no Juizado Especial na última segunda-feira (4), por conta do processo gerado a partir do ocorrido. Ele diz que “sofreu calado” até hoje e que esperava um pedido de desculpas formal do Banco do Brasil e dos policiais envolvidos em sua prisão.

Além disso, declarou-se vítima do acontecimento e que não é “inocente de achar que fora apenas mais um ato de truculência policial […]”, mas que acredita “ter sido um ato de intimidação, de retaliação”, por ser sindicalista.

Confira a nota na íntegra

NOTA PÚBLICA

“ESCLARECIMENTOS QUANTO AO EPISÓDIO NO BANCO DO BRASIL”

Ontem foi a primeira audiência no Juizado Especial, do processo que se gerou, após o acontecimento no Banco do Brasil (Agência Paiaguás), no dia 30/11/2017, por volta das 13:00 horas, contra a minha pessoa, que sou correntista há mais de uma década.

Até agora não havia me manifestado publicamente, por meio de nota.

Até então, sofri calado!.

Confesso que eu esperava um pedido formal de desculpas, tanto por parte do Banco do Brasil, como dos policiais militares envolvidos no ato fatídico.

Me daria por satisfeito, encerrando o episódio. Mas infelizmente isso não aconteceu!

No fatídico dia 30/11/2017, eu fui vítima por 03 (três) vezes:

1° –  Fui vítima de uma funcionária terceirizada, mal treinada e que após uma reclamação, passou a ter uma postura, a meu ver, de pirraça, revanchista, me deixando mais de 4 (quatro) vezes “preso” na porta giratória, mesmo após me saber correntista.

Posso ter reclamado rispidamente, deixando-lhe claro que formalizaria uma queixa contra sua postura insubordinada. E o farei. Pois que é meu direito enquanto consumidor e correntista.

Mas nunca, em tempo algum, a ameaçaria por isso e nem por qualquer outro motivo. Aliás, é bom mencionar que os guardas trabalham armados!

2° – Fui vítima de uma terceira pessoa, que sequer conheço, mas que disse me conhecer da Lida Sindical, afirmando ainda que não gostava de mim e nem do meu Sindicato ( SINPAIG). Esta pessoa interpelou grosseiramente, na falsa intenção de ser a voz da funcionária, que sequer dissera qualquer coisa. Este, após me xingar de “safado e vagabundo, além de dizer que eu deveria estar preso” sem explicar por que (ora, eu, ou aqueles contra os quais lutamos?!?). Conseguiu com isso provocar uma confusão e um “empurra-empurra”, onde a única “vítima” foi uma “mesinha” de acrílico e vidro.

Eis que certos setores da “imprensa”, noticiaram que eu fora detido por uma suposta agressão.

– Mas onde está o agredido?

– Onde está o laudo pericial que sustenta tal afirmação?

– E quem é essa pessoa que não apareceu até agora denunciando agressão?

-Por que não procuraram ouvir o outro lado, como o bom jornalismo recomenda?

Tão logo descobrirmos quem é essa pessoa, pela imagem das câmeras internas do banco, a qual já solicitei formalmente, tomarei as medidas de representação criminal por calúnia, eis que presenciado por terceiros seus impropérios.

APÓS ISSO TUDO, permaneci por mais cerca de 25 minutos dentro do Banco, onde, auxiliado por uma Bancária (Caixa Interna), cancelei dois agendamento de pagamentos, paguei uma Guia Fiscal no caixa eletrônico e, outra guia fiscal de cerca de R$ 1.560,00, no caixa interno, com a ajuda da mesma competente, gentil e prestativa Bancária.

Não fui neste tempo abordado ou seguido por qualquer segurança, nem pela Gerência do Banco. Aliás, antes de sair ainda questionei um funcionário das mesas, sobre como fazer para formalizar a RECLAMAÇÃO contra a funcionária terceirizada do Banco.

Fui vítima uma terceira vez, quando saindo da parte interna da Agência do Banco do Brasil para os caixas eletrônicos, para minha surpresa, me deparo com cerca de 7 ou 8 policiais militares, em frente a porta de saída, em fila, com duas viaturas (uma parada de ré) na parte externa. Perguntado sobre os fatos, apresentei-me, identifiquei-me como Advogado e Servidor Público (como se não me conhecessem), expliquei o ocorrido e, como não haviam motivos legais nem fato típico que justificasse qualquer detenção, comuniquei que precisava ir ao Fórum completar a operação jurídica que se iniciara com o pagamento das Guias.

Abruptamente, os servidores militares disseram que eu não poderia sair, dando a entender que estava detido. Perguntei se estava detido, pois que se fosse o caso, gostaria da OAB acompanhando a situação. Disseram que não. Porém, em meio a um diálogo comum para uma situação de constrangimento, enquanto argumentava técnico e juridicamente, sem tê-los ofendido com qualquer xingamento ou menosprezo, fui CERCADO, algemado, agredido, jogado no camburão de uma viatura, enquanto pedia desesperadamente para os presentes filmarem aquele extremo ato de abuso e truculência. 

E fosse “só” isso já seria o bastante.

Mas não!

Ainda permaneci algemado numa sala de 3×4 com 09 (nove) policiais durante todo este tempo.

Inclusive, prestei depoimento algemado, junto ao meu Advogado, que fotografou e filmou mais este absurdo.

 

Todos conhecem minhas lutas e militâncias.

Conhecem meus enfrentamentos. Sei que sou bem conhecido pelos Servidores Públicos do Estado, inclusive entre os militares, fruto da liderança sindical, travando intensos embates e debates com o Estado.

Conhecem os meus enfrentamentos contra muitos grupos poderosos.

Seja quando criticamos os Incentivos Fiscais, seja quando lutamos pelos Servidores Públicos e o conjunto de trabalhadores, e no meu caso, quando fui a voz mais ativa a denunciar o Escândalo dos Grampos Ilegais e sua gravidade para a Democracia.

Sei bem a quem e a quantos desagradamos nos últimos anos!

Já vinha tendo vários “avisos” que ignorei por despreparo. Alguns inclusive externei.

Não sou inocente de achar que fora apenas mais um ato de truculência policial, como acontece diariamente nas periferias das grandes cidades, contra populações pobres e negras.

Acredito ter sido um ato de intimidação, de retaliação, na tentativa de expor-me publicamente e, ainda que não programado, surtiu seu efeito.

Ainda mais quando mais de 10 (dez) Sites de Notícias publicaram “as suas versões”, me identificando (com direito a foto e toda “pompa”) como Sindicalista e não como Advogado e Servidor Público, com exceção de 03 (três) veículos aos quais externo meu respeito.

Respeito e muito a Polícia Militar de Mato Grosso e, nela me ampararei por retratação, pois sei que honrada é e, não compactua com práticas típicas de estado de exceção.

Me ampararei igualmente no Ministério Público, guardião da sociedade.

E, se necessário for, em qualquer instância de proteção política dos trabalhadores e suas lideranças, tal como a Organização Internacional do Trabalho/OIT.

NÃO me intimidarão. Não me calarei. NÃO calarão o grito de luta pelos trabalhadores públicos e privados brasileiros.

Em tempos sombrios, onde nossos adversários comemoram um ato abusivo, morrer pelo que se acredita talvez seja a morte mais digna de um trabalhador, um homem de bem.

Tenho medo sim, mas acredito na Justiça, em DEUS e na Força do Povo, que é onde, por fim,  me ampararei diante desse trauma inesquecível, mas superável!

ANTONIO WAGNER OLIVEIRA, Advogado, Servidor Público de Carreira da Área Meio, Diretor Jurídico do SINPAIG MT e Vice-Presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros CSB MT

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